As diferenças na educação
A valorização das
diferenças culturais e a participação social são indispensáveis para gerar um
mundo mais humano e solidário. A escola
é um lugar privilegiado para abordar estes temas, pois a escola é o meio por
excelência que trabalha com a infância, adolescência, a juventude e o adulto,
fases diversas onde se pode despertar em cada etapa uma consciência mais
humana. Nesse meio privilegiado, os educadores poderão utilizar estratégias de
diversas formas, construindo assim, a elaboração e a reflexão de um trabalho
mais dinâmico e com o respeito às diferenças, buscando, assim, novos
significados para o conteúdo escolar e os espaços de lazer numa perspectiva
multidisciplinar.
As
diferenças que caracterizam a população brasileira estão presentes também na
escola. Na escola aprendemos o que é
bom, o positivo, o belo, mas também, muitas vezes, o que fere, o que machuca e
o que coloca o ser humano em situação de diminuição, menosprezo e
fragilidade. Por exemplo, o preconceito
pelo diferente, se dá, em determinadas situações, de forma implícita, ou seja,
o que é aprendido e incorporado às redes de conhecimento que vamos tecendo ao
longo da vida, nos diversos espaços estruturais. Aprendemos das práticas
sociais que desenvolvemos e com as quais convivemos: TV, leituras, amigos, na
escola, em casa. É urgente darmo-nos conta do preconceito e de certas verdades
incorporadas e questionar-nos, refletir e procurar mudar os paradigmas,
reconstruindo a cada dia a nossa forma de pensar e respeitar o diferente.
Este
convívio com a diferença auxilia as crianças a se perceberem como sujeitos que
se diferenciam pelos desejos, idéias, formas de vida, ajuda a perceber que cada
um faz parte de um universo mais amplo e riquíssimo de expressões. Acolher as
diferentes expressões e manifestações das crianças significa considerar o que
cada um traz dentro de si e ensinar o convívio democrático e participativo, o
que não significa necessariamente ter que aderir aos valores do outro, mas
respeitar e enriquecer-se com o outro. É
função da escola valorizar a diversidade na composição da identidade, de modo
que os alunos reconheçam o direito à diferença como constitutivo do direito à
igualdade.
Trabalhar igualmente essas diferenças não é uma tarefa fácil
para o professor, porque para lidar com elas é necessário compreender como a
diversidade se manifesta e em que contexto. Portanto, pensar uma educação
escolar que integre as questões étnico-raciais, e alunos com necessidades
educativas especiais, significa progredir na discussão a respeito das
diferenças na educação, das diferenças raciais e culturais e no direito de ser
diferente, ampliando, assim, as propostas curriculares, buscando uma educação
mais flexível e dinâmica de acordo com a realidade de cada educando.
Jamir Berton

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