sábado, 1 de setembro de 2012


As diferenças na educação

A valorização das diferenças culturais e a participação social são indispensáveis para gerar um mundo mais humano e solidário.  A escola é um lugar privilegiado para abordar estes temas, pois a escola é o meio por excelência que trabalha com a infância, adolescência, a juventude e o adulto, fases diversas onde se pode despertar em cada etapa uma consciência mais humana. Nesse meio privilegiado, os educadores poderão utilizar estratégias de diversas formas, construindo assim, a elaboração e a reflexão de um trabalho mais dinâmico e com o respeito às diferenças, buscando, assim, novos significados para o conteúdo escolar e os espaços de lazer numa perspectiva multidisciplinar.
As diferenças que caracterizam a população brasileira estão presentes também na escola. Na escola aprendemos o que é bom, o positivo, o belo, mas também, muitas vezes, o que fere, o que machuca e o que coloca o ser humano em situação de diminuição, menosprezo e fragilidade.  Por exemplo, o preconceito pelo diferente, se dá, em determinadas situações, de forma implícita, ou seja, o que é aprendido e incorporado às redes de conhecimento que vamos tecendo ao longo da vida, nos diversos espaços estruturais. Aprendemos das práticas sociais que desenvolvemos e com as quais convivemos: TV, leituras, amigos, na escola, em casa. É urgente darmo-nos conta do preconceito e de certas verdades incorporadas e questionar-nos, refletir e procurar mudar os paradigmas, reconstruindo a cada dia a nossa forma de pensar e respeitar o diferente.
Este convívio com a diferença auxilia as crianças a se perceberem como sujeitos que se diferenciam pelos desejos, idéias, formas de vida, ajuda a perceber que cada um faz parte de um universo mais amplo e riquíssimo de expressões. Acolher as diferentes expressões e manifestações das crianças significa considerar o que cada um traz dentro de si e ensinar o convívio democrático e participativo, o que não significa necessariamente ter que aderir aos valores do outro, mas respeitar e enriquecer-se com o outro.  É função da escola valorizar a diversidade na composição da identidade, de modo que os alunos reconheçam o direito à diferença como constitutivo do direito à igualdade.
Trabalhar igualmente essas diferenças não é uma tarefa fácil para o professor, porque para lidar com elas é necessário compreender como a diversidade se manifesta e em que contexto. Portanto, pensar uma educação escolar que integre as questões étnico-raciais, e alunos com necessidades educativas especiais, significa progredir na discussão a respeito das diferenças na educação, das diferenças raciais e culturais e no direito de ser diferente, ampliando, assim, as propostas curriculares, buscando uma educação mais flexível e dinâmica de acordo com a realidade de cada educando. 
Jamir Berton

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