| Excluídos pela inclusão | ||||||
| Colocar crianças com necessidades especiais em salas separadas divide educadores: parte deles acredita que é segregação, outros defendem que é uma alternativa eficiente para o aprendizado | ||||||
| por Ana Elizabeth Cavalcanti | ||||||
| Se por um lado o princípio é indiscutível – todas as crianças, independentemente de suas condições, têm direito e devem ter acesso à escolarização de qualidade – por outro, ele cria dificuldades, quando se propõe a definir o que seria esse processo ou como deveria se dar. Em que pesem as diferenças existentes entre eles, os defensores da inclusão preconizam que todas as crianças devem estar em escolas e em classes regulares. Mas o que os autoriza, por exemplo, a afirmar que os surdos se escolarizam melhor em escolas e classes de ouvintes se eles próprios pensam exatamente o contrário? O que os leva a pensar que as chamadas crianças autistas e psicóticas devem estar obrigatoriamente em classes regulares, quando existem experiências tão diversas de sua escolarização e pouco se conhece ainda de seus particularíssimos modos de aprendizagem? Em uma conversa sobre inclusão com um grupo de professoras da Rede Estadual de Ensino de Pernambuco, uma delas falou sobre suas experiências pedagógicas com crianças com necessidades especiais. Para algumas delas, disse a professora, as classes especiais ou integradas eram condição para estarem na escola, um meio de se tornarem visíveis. Para outras, essas classes foram dispositivos que promoveram a segregação e acentuaram a condição de inexistência. O mesmo se poderia dizer das salas regulares. “O que a minha experiência mostra e eu defendo”, disse a professora, “é que não há um modelo a ser seguido.” E concluiu: “Por isso, sou contra a inclusão”. Finalmente, movida por certo desconforto decorrente de seu posicionamento, acrescentou que, óbvio, não defendia a exclusão. A fala dessa professora explicita o que incomoda no discurso da inclusão: ele tornou-se um discurso hegemônico e ideológico. Ou seja, o que é uma entre várias possibilidades de pensar a educação para todos tornou-se A forma, aquela que anuncia uma verdade única e indiscutível. O fato de a professora sentir-se obrigada a justificar que não era defensora da exclusão evidencia o efeito do modo maniqueísta de pensar presente nesse discurso: quem não está comigo, que represento o bem, está contra mim e com o mal. Ou seja, não aderir ao discurso da inclusão implica defender a exclusão. E aqueles que não aderem passam a fazer parte de uma extensa lista de excluídos – composta de professores, diretores de escolas, pais e dos próprios alunos com necessidades especiais, como os surdos, por exemplo –, tachados de resistentes, preconceituosos e segregacionistas. Isso leva a supor que talvez, para pensar sobre uma educação de qualidade para todas as crianças, o paradigma binário inclusão/exclusão não ajude. Assim, a ideia de uma escola inclusiva deveria ser substituída pela de escolas diversas e plurais, efeito de experiências bem-sucedidas, sempre particulares, que já foram construídas ou estão por construir. Elas poderiam ser uma espécie de antídoto contra a atração fatal de homogeneizar o que é diverso por condição. | ||||||
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Refletir sobre o processo de Educação Inclusiva e trocar ideias com educadores e profissionais que trabalham nesta área.
sábado, 1 de setembro de 2012
As diferenças na educação
A valorização das
diferenças culturais e a participação social são indispensáveis para gerar um
mundo mais humano e solidário. A escola
é um lugar privilegiado para abordar estes temas, pois a escola é o meio por
excelência que trabalha com a infância, adolescência, a juventude e o adulto,
fases diversas onde se pode despertar em cada etapa uma consciência mais
humana. Nesse meio privilegiado, os educadores poderão utilizar estratégias de
diversas formas, construindo assim, a elaboração e a reflexão de um trabalho
mais dinâmico e com o respeito às diferenças, buscando, assim, novos
significados para o conteúdo escolar e os espaços de lazer numa perspectiva
multidisciplinar.
As
diferenças que caracterizam a população brasileira estão presentes também na
escola. Na escola aprendemos o que é
bom, o positivo, o belo, mas também, muitas vezes, o que fere, o que machuca e
o que coloca o ser humano em situação de diminuição, menosprezo e
fragilidade. Por exemplo, o preconceito
pelo diferente, se dá, em determinadas situações, de forma implícita, ou seja,
o que é aprendido e incorporado às redes de conhecimento que vamos tecendo ao
longo da vida, nos diversos espaços estruturais. Aprendemos das práticas
sociais que desenvolvemos e com as quais convivemos: TV, leituras, amigos, na
escola, em casa. É urgente darmo-nos conta do preconceito e de certas verdades
incorporadas e questionar-nos, refletir e procurar mudar os paradigmas,
reconstruindo a cada dia a nossa forma de pensar e respeitar o diferente.
Este
convívio com a diferença auxilia as crianças a se perceberem como sujeitos que
se diferenciam pelos desejos, idéias, formas de vida, ajuda a perceber que cada
um faz parte de um universo mais amplo e riquíssimo de expressões. Acolher as
diferentes expressões e manifestações das crianças significa considerar o que
cada um traz dentro de si e ensinar o convívio democrático e participativo, o
que não significa necessariamente ter que aderir aos valores do outro, mas
respeitar e enriquecer-se com o outro. É
função da escola valorizar a diversidade na composição da identidade, de modo
que os alunos reconheçam o direito à diferença como constitutivo do direito à
igualdade.
Trabalhar igualmente essas diferenças não é uma tarefa fácil
para o professor, porque para lidar com elas é necessário compreender como a
diversidade se manifesta e em que contexto. Portanto, pensar uma educação
escolar que integre as questões étnico-raciais, e alunos com necessidades
educativas especiais, significa progredir na discussão a respeito das
diferenças na educação, das diferenças raciais e culturais e no direito de ser
diferente, ampliando, assim, as propostas curriculares, buscando uma educação
mais flexível e dinâmica de acordo com a realidade de cada educando.
Jamir Berton
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